Quem sabe de mim, sou eu!

— Robson Pires
04/mar/2018

Brasil ainda tem frio e depressão


Por Robson Pires, em

O consumo das famílias cresceu quase nada no trimestre final de 2017, mostrou o balanço do PIB. O resultado ruim provocou sorrisos amarelos entre otimistas e governistas e suscitou explicações
engenhosas dos entendidos.

Pode ter sido apenas um desses resultados esquisitos, por vezes revisados, do PIB trimestral. Pelo desempenho geral da economia entre novembro e janeiro, não é razoável dizer que a recuperação pegou resfriado. Ao contrário. Mas há sinais de friagem que dão o que pensar.

Pode ser que essa recuperação miúda e retardada resulte em inflação mais baixa por mais tempo. Pode ser, pois, que a taxa básica de juros deva cair mais, o que não melhoraria o PIB, mas ajudaria
a conter a dívida pública.

Onde faz frio?

O crescimento real anual do salário médio em dezembro e janeiro foi o menor desde janeiro de 2017. A inflação baixa do ano passado deve contaminar os reajustes, ainda mais porque o desemprego continua alto e a precarização é extensa. Talvez apenas neste trimestre o número de empregos formais volte a crescer, mas ainda se arrastando para fora de um poço de três anos de profundidade.

Apesar de erráticas, mês a mês, as vendas do comércio de varejo se recuperam. Ainda assim, cresceram apenas 2% em 2017, depois de afundarem quase 11% no biênio 2015-16. A utilização da capacidade produtiva das indústrias está nos níveis mais baixos em 20 anos ou mais.

O IPCA está abaixo do piso da meta do Banco Central desde a metade do ano passado e ora em 2,9%, no acumulado dos últimos 12 meses. O equivalente a quase um terço do aumento de preços veio apenas de combustíveis e das extravagâncias dos planos de saúde, o que merece uma investigação, a princípio pelo menos econômica. Menos relevante, mas de algum interesse, os índices de preços gerais e de atacado continuam no vermelho, em termos anuais.

As expectativas de inflação mensal de economistas do setor privado sugerem que o IPCA volta a 3,7% no fim do ano e a 4,1% em meados de 2019, na meta. No campo de ação e visão possíveis do Banco Central, é o que deveria importar. A inflação de agora, rala ou não, é leite derramado.

Mas convém lembrar que os economistas do mercado erraram estramboticamente os números da inflação de 2017, que foram superestimados. Decerto não é possível fazer política monetária com base em apostas de que os povos dos mercados vão dar vexame de novo neste ano e no seguinte. Mas
começaram 2018 errando para cima.

No mínimo, portanto, seria interessante fazer um exercício mais do que especulativo a respeito do que se pode passar com a inflação. O gasto do governo não tem crescido, certo? A onda de choque positiva causada pela desinflação de alimentos pode se propagar por muito mais tempo? Qual o efeito ou significado dessa ociosidade industrial recorde e ainda no nível do buraco depressivo do começo de 2016?

Difícil ver adiante reajuste relevante do salário mínimo, se algum, e recuperação de rendimentos no setor de serviços. Os preços da Petrobras e os da eletricidade andam fora da casinha e sem coleira, é verdade. Ainda assim, a olho nu parece difícil ver inflação. Fica a sugestão para que os cientistas liguem os microscópios.

 


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