Quem sabe de mim, sou eu!

— Robson Pires
23/nov/2009

Henrique Alves e seu latifúndio


Por Robson Pires, em

henrique alves polegar pra cimaPor Franklin Jorge

Quem acompanha os embates da política no Rio Grande do Norte, nos últimos trinta anos, jamais poderia supor que o deputado Henrique Eduardo Alves pudesse alcançar tais alturas no cenário nacional, sem a ajuda e a presença do pai, que de maneira cega e obstinada o quis impor, em diversas ocasiões, para o desempenho de papéis que o próprio eleitorado refutava, por associá-lo a um “deputado copa do mundo”, ou seja, a um político para o qual nós só existíamos em períodos eleitorais, quando ele vinha ao estado, de quatro em quatro anos, caçar os nossos votos.

Pensava-se que ele desapareceria da política local com a morte de Aluizio Alves, porém aconteceu justamente o contrário. Além de exercer uma extraordinária influência nas decisões em âmbito nacional, como um dos mais experimentados membros do Congresso Nacional, Henrique Eduardo é, neste momento, em termos regionais, o único nome diante do qual a governadora Wilma de Faria tem que baixar a cabeça e cortejar seu apoio; o apoio do único político norte-rio-grandense que está no centro das decisões nacionais, por seu prestigio no partido e junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Afinal é o PMDB, seu partido, a bola da vez.

Bem se diz que a política é dinâmica, pois não fora assim não teríamos, de maneira tão rápida e inesperada, a reversão de um quadro no qual a governadora detinha plenos poderes, fazendo, portanto, sua vontade prevalecer inclusive sobre a razão. Absolutamente senhora de tudo, a ponto de fazer gato e sapato do que ela – sem olhar para a própria cauda – chamava de “velhos caciques”, entre os quais o ex-ministro Aluízio Alves, que se finou sob o peso das humilhações que lhe foram impostas por Wilma de Faria, a fria e ambiciosa maquiavelista que por algum tempo terá sido a czarina papa-jerimum, agora outra vez às voltas com o famigerado “Foliaduto”, exumado de maneira inoportuna pelo presidente da Fundação José Augusto, o aliado petista Crispiniano Neto.

Como alguém que soube esperar pacientemente a sua vez, construindo no curso de mais de trinta anos de mandato parlamentar, sólidas alianças – se fosse possível imaginar solidez em compromissos que envolvam políticos, especialmente políticos brasileiros, sem parecermos parvos –, Henrique Eduardo Alves ocupa presentemente uma posição sob todos os aspectos privilegiada. Dono da maioria e dos principais cargos federais no Rio Grande do Norte, tem incontestavelmente prestígio no centro das decisões. E, como nenhum outro membro da nossa bancada, cochicha quando quer com o presidente. Densidade eleitoral à parte, é hoje o grande latifundiário da política potiguar.


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