Quem sabe de mim, sou eu!

— Robson Pires
10/dez/2010

Henrique Alves entre o inconformismo e a resignação


Por Robson Pires, em

O deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) está frustrado. Nas últimas semanas, o líder do PMDB na Câmara lutou com afinco para assumir a presidência da Casa no primeiro biênio do governo de Dilma Rousseff. A cadeira, no entanto, deve ficar com o PT, dono da maior bancada. É por isso que, ao falar desse assunto, o deputado oscila entre o inconformismo (“o PT precisa me convencer de que merece o primeiro biênio”) e a resignação (“já acato aqui, antecipadamente”).

Alves também se mostra insatisfeito com o quinhão de ministérios que coube aos peemedebistas no governo Dilma. “O PMDB perdeu substância”, diz ele, numa comparação com o espaço que o partido tinha durante o governo Lula. O deputado sugere, no entanto, que há outros caminhos para o partido exercer sua influência: “O PMDB não precisa disputar espaço no governo, nós somos o governo, o governo é nosso”.

No mesmo dia em que Dilma oficializou os nomes dos peemedebistas que terão lugar garantido à frente de seu ministério, o deputado conversou com exclusividade com o site de VEJA.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista:

O PMDB fechou acordo com o PT para estabelecer o sistema de rodízio na presidência da Câmara dos Deputados. Qual tática foi usada para convencer o PT a fazer essa alternância com vocês, já que eles têm a maior bancada? Trata-se, simplesmente, de uma fórmula que deu certo. Quando o presidente Lula foi reeleito, em 2006, a maior bancada na Câmara era a do PMDB [com 89 deputados] e a segunda era a do PT [com 83 cadeiras]. Achamos interessante que os dois partidos se entendessem, pois seria bom para a instituição e para o governo. Nós então abrimos mão de um período de quatro anos em favor do PT. Na época, os petistas reivindicaram o primeiro biênio para Arlindo Chinaglia (PT-SP), que assumiu a presidência da Câmara em 2007. A bancada do PMDB concedeu essa oportunidade e o PT foi muito correto durante a eleição de Michel Temer (PMDB-SP) para o comando da Casa, em 2009, apoiando-o integralmente. Agora, quando o quadro se inverteu e o PT fez a maior bancada, propusemos o mesmo critério, com uma autoridade muito grande, já que estamos pedindo o que nós já demos.

A decisão de que o PT ficaria com o primeiro biênio foi tranquila? O PT vai escolher o candidato e sentaremos com ele para definir quem vai ficar com o primeiro biênio e quem vai ficar com o segundo biênio. O PT precisa me convencer de que merece o primeiro biênio, mas também terei que acatar uma prerrogativa que está a favor deles, que é a questão da maior bancada. Se não há um critério, tem que ter o desempate. Não vou criar dificuldades. Mas eu tenho pressa, pois o importante não é ser um candidato do PT ou do PMDB, mas sim um nome que represente a instituição e possa representar uma costura política e parlamentar para ser o candidato da Casa, um candidato que fale por todos – partidos pequenos, médios e grandes.

A entrega do primeiro biênio ao PT é tida como sacramentada. O senhor está dizendo que não é bem assim? Há uma disputa. Existe um grupo do PT, ligado ao deputado federal Cândido Vaccarezza (SP), que gostaria que o partido assumisse o primeiro biênio, já em 2011, mas há um outro grupo que acha melhor depois. Mas isso é uma decisão do PT. Meu papel é acatar a decisão sem criar dificuldades, porque eles têm a maior bancada. Já acato aqui, antecipadamente.

O senhor chegou a dizer nas últimas semanas que não abriria mão de sua candidatura. Conformou-se em não disputar? Estou aqui há dez mandatos. É como se eu tivesse nascido aqui e vivido toda a minha vida política dentro desta Casa. Queria muito presidir a Câmara nesses dois primeiros anos, porque eu acho que a Casa tem duas obrigações urgentes – a reforma política e a reforma tributária. Queria poder realizar essa demanda, por isso insisti na minha candidatura. São dois desafios que me atraem muito, mas acho que essa frustração eu terei que absorver.

O senhor defendeu o nome do deputado Pedro Novais (MA) para o Ministério do Turismo, assim como o de Garibaldi Alves (PMDB-RN) para a Previdência Social. Há algum projeto especial para essas áreas ou o PMDB só estava na luta por cargos? O PMDB é um partido novo agora. Queremos nos livrar da pecha de fisiologistas – isso é passado. A gente não disputa espaço no governo, porque nós somos o governo, o governo é nosso. Então, o PMDB propos a Dilma que mantivesse os espaços dos partidos como estavam – no tamanho e na qualidade – para evitar atropelos ou ambições distorcidas. Mas isso não aconteceu. O PMDB perdeu uma pasta importante, a Integração Nacional, perdeu Comunicações, substituídas por Previdência e Turismo.

O PMDB no governo Dilma é menor que o PMDB no governo Lula? Não vou negar que o PMDB perdeu substância. Esse é o primeiro momento de coalizão partidária, quando os partidos que ganharam as eleições – PT e PMDB – definem espaço. Nessa hora, o PMDB perdeu sim.


1 Comentário

  1. O JUSTO disse:

    QUEM SE JUNTA AO PT MERECE SE FUDER…

    TÁ ACHANDO POUCO O BUBÚ DADO POR DILMA? O MINISTÉRIO É POUCO…

    BOA SUJESTÃO: SE JUNTE À OPOSIÇÃO PRA CASSAR DILMA….

    AÍ O PMDB TEM A PRESIDÊNCIA… E TEM O MEU APOIO…

    DÊ O TROCO A ESTES CANALHAS

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Quinta, 21 de Junho de 2018


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