O vice-governador do Rio Grande do Norte, Walter Alves (MDB), rebateu as críticas de que teria “traído” a governadora Fátima Bezerra (PT) ao romper politicamente com o governo e fez um duro desabafo sobre os quatro anos em que ocupou a Vice-Governadoria.
Em entrevista ao programa 12 em Ponto, da 98 FM Natal, Walter afirmou que jamais participou das decisões administrativas do Estado, revelou que tomava conhecimento dos principais assuntos pela imprensa e questionou a narrativa construída após sua decisão de não assumir o Governo do Estado.
“Quem traiu quem? Quem deixou um déficit de R$ 3 bilhões? Quem deixou consignados em R$ 372 milhões? Quem aprovou aumento sem dinheiro para pagar?”
Ao explicar por que decidiu não assumir o comando do Executivo nos últimos meses da atual gestão, Walter afirmou que somente ao analisar estudos técnicos e dados oficiais percebeu a gravidade da situação financeira do Estado. Segundo ele, assumir o governo naquele momento seria assumir uma crise sem ter participado da administração que a produziu.
Segundo Walter, o governo nunca passou a informação dos dados oficiais que apontavam um cenário de forte desequilíbrio nas contas públicas.
Mas a realidade ressaltada pelo vice é que o Rio Grande do Norte fechou o período de 2025 para 2026 com um déficit de aproximadamente R$ 3 bilhões, enfrenta uma dívida de cerca de R$ 372 milhões referente aos empréstimos consignados, atrasou o pagamento do décimo terceiro salário e opera acima do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal.
“O Estado está com 56,75% da receita comprometida com a folha. É o maior índice do Brasil.”
Vice é vice
Na entrevista, o vice-governador também fez uma das declarações mais contundentes desde o rompimento político com Fátima Bezerra ao afirmar que, na prática, o cargo de vice depende exclusivamente da confiança do governador.
“Prova que o cargo de vice-governador não tem poder nenhum. Você só tem poder quando o governo lhe dá poder. Se o governador não der poder, você não tem poder.”
Walter afirmou que nunca integrou o núcleo responsável pelas principais decisões da gestão estadual.
“Eu disse à governadora: a senhora sabe que eu não participo da gestão. Eu não participo do comitê gestor. O que eu sei é o que todo mundo sabe, pela imprensa.”
Segundo ele, o MDB teve pouco espaço dentro da administração estadual, apesar de integrar a chapa eleita em 2022.
“O MDB teve pouco prestígio. Tinha apenas uma secretaria.”
“Durante a transição eu recebi uma informação de Brasília sobre a situação financeira. O governo nunca passou essa informação para mim. Fora o que eu não sei.”
Desafio para o próximo gestor
“O próximo governador terá que fazer um choque de gestão”,
afirmou o atual vice Walter Alves, durante a entrevista aos jornalistas Anna Karinna Castro, Túlio Lemos, Andréia Freitas e Saulo Spinelly.
Para Walter Alves, a reorganização das contas públicas será a principal missão do próximo governador do Rio Grande do Norte.
Para ele, não haverá espaço para novos investimentos sem uma ampla revisão da estrutura administrativa e do controle das despesas.
“O próximo governador vai ter um desgaste grande porque terá que fazer um choque de gestão para valer.”
Entre as medidas defendidas pelo vice-governador estão a revisão de contratos administrativos, a venda de imóveis pertencentes ao Estado, ampliação das parcerias público-privadas (PPPs) e incentivo aos setores capazes de impulsionar a economia potiguar.
Walter destacou que o Estado possui potencial em áreas como turismo, mineração, petróleo, gás natural, energias renováveis, sal, fruticultura irrigada e hidrogênio verde, mas afirmou que o desequilíbrio fiscal impede que esse potencial seja transformado em investimentos.
“A arrecadação sobe, mas o investimento com recursos próprios é praticamente zero. O custeio da máquina está consumindo tudo.”
Na avaliação dele, antes de ampliar investimentos em áreas como saúde, segurança e infraestrutura, será necessário reorganizar financeiramente o Estado.
“Primeiro tem que fazer o dever de casa. Sem organização financeira não existe investimento.”
Tradição e Futuro político
Walter Alves voltou a afirmar que assumir o Governo do Estado nos últimos meses da atual gestão significaria comprometer sua trajetória política sem tempo suficiente para reverter a situação financeira.
“Era suicídio político. Eu ia andar na rua e ouvir que meu pai foi um grande governador e eu um dos piores. Ninguém reorganiza um Estado nessa situação em apenas seis meses.”
Segundo o vice-governador, a recuperação fiscal exigirá um trabalho de longo prazo e decisões difíceis do próximo chefe do Executivo estadual.
“O próximo governador terá quatro anos para reorganizar o Estado. Em seis meses isso seria impossível.”
Apoio a Allyson e Lula em 2026
Sobre as eleições, o vice-governador Walter Alves (MDB) confirmou os principais movimentos políticos do MDB.
Walter reafirmou que o partido está fechado com a pré-candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, ao Governo do Estado com o deputado estadual Hermano Moraes para vice na chapa.
O dirigente também revelou que o MDB apoiará oficialmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial.
“O MDB vai apoiar Lula. É um compromisso com o MDB nacional.”
O apoio ao PT, no entanto segue apenas na linha nacional. Porque para o Senado, Walter descartou qualquer apoio a Samanda Alves. Ele confirmou que o MDB apoiará a senadora Zenaide Maia para uma das vagas ao Senado. Já sobre a segunda vaga, afirmou que o partido deverá liberar seus filiados.
“Temos compromisso com Zenaide. A segunda vaga está em aberto e a tendência é liberar o voto.”
A convenção estadual do MDB deverá ocorrer em Natal no próximo dia 26 de julho, quando a legenda apresentará oficialmente sua nominata de candidatos.
“Vamos fazer uma grande convenção em Natal e apresentar os 25 nomes da nominata de estadual.”
Entre os nomes já conhecidos dessa nominata estão o próprio Walter, Antônio Jácome, Ivan Júnior, Bibiano, Oderlan, Clóvis e outras lideranças regionais.
BNews Natal
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