
A Operação Mederi cabe num mapa — e o mapa tem cores diferentes. Os documentos que o Blog do Dina leu, a representação criminal do Ministério Público Federal e a quebra de sigilo autorizada pela Justiça, colocam mais de vinte prefeituras do Rio Grande do Norte dentro do mesmo esquema de desvio na compra de remédios. O que muda de uma cidade para outra é o tamanho da prova que a Polícia Federal já tem em mãos.
As condutas descritas nos autos, se confirmadas, podem configurar corrupção, fraude à licitação, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Nesta reportagem, nenhum agente público é nomeado: a operação corre sob segredo de justiça. Alguns dos agentes públicos são investigados, outros, ainda não. Por enquanto, não há condenações.
Três graus de prova
Há, grosso modo, três situações. Na primeira, a fraude está descrita: existe escuta ambiental, vídeo ou auditoria federal registrando o mecanismo do desvio. Na segunda, o que existe é o rastro do dinheiro — relatórios de inteligência financeira, quebras bancárias e cruzamentos com o Tribunal de Contas que apontam repasses fora de proporção. E na terceira, a cidade é apenas uma menção: o fundo municipal de saúde aparece no anexo financeiro, com créditos que coincidem no tempo com saques em espécie.
O mapa abaixo separa por esses três graus as cidades que aparecem nos autos. Nenhum investigado é nomeado — mas cada cidade traz o que a investigação já reuniu sobre ela.


O que vem agora
O Blog do Dina segue na apuração. Os autos trazem nomes — de gestores, operadores e beneficiários apontados nas escutas —, e o próximo passo desta reportagem é acompanhar os desdobramentos das investigações enquanto seguiremos tentando produzir nossas próprias reportagens.
Todos os citados são investigados e não foram condenados. A Operação Mederi corre sob segredo de justiça, e os acertos que aparecem nas escutas são tratados pela investigação como suspeitas a confirmar.
Por Blog do Dina









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