
O ex-ministro das Comunicações Fábio Faria tornou-se um dos principais articuladores políticos e empresariais ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A Polícia Federal analisa documentos e mensagens que detalham essa relação, investigando se o ex-gestor utilizou sua influência para facilitar o acesso do empresário a figuras do primeiro escalão do governo e do Poder Judiciário.
O vínculo entre os dois teve início em outubro de 2023, durante um evento em Paris. Logo após o primeiro contato, mensagens obtidas pela investigação sugerem que Fábio Faria passou a organizar reuniões estratégicas entre o banqueiro e lideranças do Congresso Nacional, além de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-ministro nega ter mantido relação comercial direta com o Banco Master, limitando a interação a contatos eventuais.
A investigação também coloca sob lupa uma transação comercial realizada em fevereiro de 2024. Na ocasião, Fábio Faria vendeu um projeto de energia eólica situado em Galinhos, no RN, ao Banco Master por R$ 67,5 milhões. Especialistas do setor questionam o montante, argumentando que o valor estaria acima do mercado para um empreendimento em estágio inicial. O ex-ministro defende que o preço reflete o potencial de crescimento do negócio, embora a KPMG, citada como fonte de avaliação, tenha negado a elaboração de estudos para a operação.
Além da venda do projeto, a Polícia Federal apura o custo de viagens internacionais que incluíram destinos como Londres, Nova York e Lisboa. Documentos indicam que despesas teriam sido custeadas por Daniel Vorcaro, ponto que o ex-ministro contesta ao afirmar ter arcado com suas próprias custas. A apuração tenta esclarecer se o trânsito do ex-ministro por essas agendas internacionais serviu para cimentar parcerias comerciais e políticas.
Até o momento, Fábio Faria não figura como alvo formal de inquéritos. A Polícia Federal busca determinar se a atuação de consultoria pós-governo extrapolou os limites legais, transformando o ex-ministro em um facilitador de acessos privilegiados para o Banco Master e outras instituições, como o Banco BTG Pactual. O ex-ministro sustenta a legalidade de suas atividades de consultoria e nega qualquer irregularidade nas intermediações mencionadas.









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